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Câmara entusiasmada com a criação do "Geoparque Arouca" PDF Imprimir

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A criação de um geoparque no concelho de Arouca, assente na protecção, divulgação e rentabilização da diversidade geológica desta região, foi a grande novidade apresentada durante o colóquio das Jornadas da Terra, que decorreu no sábado, dia 3, no Cinema Globo D'Ouro.

O projecto, já fundamentado do ponto de vista científico, foi dado a conhecer ao público presente, nomeadamente ao Presidente da Câmara e a alguns membros da sua equipa, entre individualidades de diferentes sectores da comunidade arouquense, pelo Dr. Artur Abreu Sá, do Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que integra a equipa de investigadores nacionais e estrangeiros que está a trabalhar a componente científica do Geoparque Arouca, tendo em vista a preparação de uma candidatura para ser apresentada à European Geoparks Network.

"Do que depender da Câmara Municipal, este projecto será uma realidade", afirmou o presidente da edilidade, posto perante o desafio lançado na comunicação do investigador da UTAD, de que, agora, nesta fase do processo em que já estão reunidas as "condições inequívocas para a constituição de uma equipa de trabalho, é vital a participação da autarquia no sentido de serem analisadas as necessidades de nível político-administrativo".  

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Aspecto geral do público nas Jornadas da Terra

Entusiasmado com a ideia, o Engº Artur Neves, num gesto de total abertura, em consonância com o seu Adjunto, Dr. Jorge Oliveira, e o vereador Dr. Ângelo Campelo de Sousa, também presentes na sessão, prontificou-se a receber de braços abertos a proposta, disponibilizando-se de imediato para, em conjunto com os demais intervenientes e na fase de institucionalização do projecto, o que deverá ocorrer em breve, a autarquia poder constituir-se como motor de arranque da candidatura que depois será entregue nas instâncias internacionais, no âmbito dos programas de apoio previstos para o desenvolvimento sustentável das regiões.
 Refira-se que em Portugal não existe até esta data nenhum projecto desta natureza, enquadrado na política de desenvolvimento sustentável do turismo, embora esteja já a ser delineado o primeiro Geoparque português para a região de Lisboa e Vale do Tejo, com a denominação de Geoparque da Naturtejo da Meseta Meridional.

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Pedra Parideira

A avançar, o "Geoparque Arouca" terá como âncora, ou pólo dinamizador de toda a temática, o Centro Interpretativo Geológico de Canelas, construído na exploração de ardósias Valério & Figueiredo, onde existe, à semelhança do carácter singular e espectacular das Pedras Parideiras, no lugar da Castanheira, na Serra da Freita, um dos mais imponentes "ex-libris" da História da Terra, as Trilobites, fósseis marinhos que nos contam como era a vida neste planeta há 480 milhões de anos, no período Ordovícico, muito antes do aparecimento dos dinossáurios e no qual o território onde assenta actualmente Arouca fazia parte do paleocontinente Gondwana, dominado por esses admiráveis "peixes" que se encontram fossilizados em bom estado de conservação nas ardósias que têm sido encontradas e identificadas por Manuel Valério, através de um trabalho exaustivo e com base científica, já reconhecido internacionalmente.

Promoção do turismo sustentável
 
O futuro "Geoparque Arouca" deverá, então, estender-se por todo o concelho, chamando a si não só o Património Geológico da região de Arouca, como os fenómenos das Pedras Parideiras, da Pedra da Boroa, as cristas quartzíticas, as pistas de Cruziana, a cascata da Mizarela - a maior queda de água em Portugal - entre outras "pérolas" geológicas e arqueológicas da Serra da Freita, mas englobar também todas as outras potencialidades turísticas da nossa terra, resultantes da beleza paisagística, da rica gastronomia, da doçaria conventual, das águas cristalinas e dos rápidos do Rio Paiva - o rio menos poluído da Europa e um dos mais procurados para desportos de aventura - os percursos pedestres, as minas de volfrâmio em Janarde e Rio de Frades, o Convento de Arouca, as aldeias tradicionais, ou seja, um espólio natural único, inegavelmente espectacular e grandioso, constituído por locais e "produtos" de cartaz turístico,  alguns sem igual no Mundo - casos das Pedras Parideiras e das Trilobites - sendo "mais-valias" para atrair quer os arouquenses quer os visitantes nacionais e estrangeiros, estes últimos cada vez mais selectivos e exigentes na hora de escolherem os seus destinos de férias, neste caso assente em princípios e modos de agir que configurem a concretização de uma política de desenvolvimento turístico sustentável, no sentido da rentabilização destas potencialidades, como impulso sócio-económico da região, na melhoria da qualidade de vida das populações locais, em harmonia com a preservação deste legado histórico-natural.

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"Rafting" no Rio Paiva

 "A Geodiversidade da região de Arouca: o "minério" do século XXI?" é, pois, o desafio que foi agora lançado e se espera que venha a ser o ponto de reflexão de todos os agentes locais, públicos e privados, em comunhão com os investigadores envolvidos no projecto, tendo em vista a criação de uma equipa de trabalho multi-institucional, multi-disciplinar e internacional, que se proponha avançar com as bases da criação do "Geoparque Arouca", colocando no futuro o nome da nossa terra nos roteiros, cada vez mais frequentes e influentes, do turismo científico e cultural.
No decorrer do colóquio das "Jornadas da Terra", foi apresentado também o trabalho de investigação "Património Geológico de Arouca", realizado no âmbito do mestrado em Geodiversidade da Universidade do Minho e da autoria das estudantes Daniela Rocha, natural de Arouca, e de Vera Alfama e Lucinda Silva, no qual foi feita a descrição, apaixonada e bem documentada, dos locais de interesse geológico do concelho de Arouca.
A sessão foi aberta com a comunicação do Dr. José da Cunha Barros, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, versando as questões mais pertinentes do conceito de turismo sustentável, consagradas na Carta Ética do Turismo, da Organização Internacional de Turismo, um departamento da ONU.
Por último, há a salientar a relevância destas jornadas, organizadas pela associação ambientalista "Urtiarda" e pelo Conjunto Etnográfico de Moldes, que nos últimos anos têm servido de mote para a reflexão sobre a temática da preservação do valioso património ambiental de Arouca.

(Fotos cedidas por Carlos Pinho)                               

 
 
 
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